sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

trupe

assim que ficaremos, meus amigos, na nostalgia, nossos risos de coxia, as brincadeiras de final de ensaio, os tangos, os passos, as sombras nas cortinas. vou amá-los tanto, que a mim só cabe acreditar que assim será mais bonito. o partir é tão bonito, não acham?
o fim que é anterior ao desencanto, que sela os destinos e emoldura magia nas lembranças. é assim que vocês ficarão. e meus pés vão sentir falta dos tacos quebrados do palco, e minha voz vez em quando vai pedir sopro, mas não haverá ninguém, bem sei.
amigos, vocês pensarão em mim? sinto tanto que pensarei em vocês, a cada dia. sinto que serei eternamente apaixonada por um querer que não mais me vestirá.
me perguntarão: o que está por trás de tanto afeto? o que explica o pulsar de teu coração acelerado que hoje chora tanto?
e eu, caros amigos, do alto da minha crença, direi: o sonho, basta o sonho. porque do sonho, se revelam eles, cada qual na sua ternura, ingenuidade e fé, imensurável.
vou viver então como uma dessas mulheres de atenas, nutrindo-se de um amor desmedido e incondicional, que se alimenta do ontem, da saudade, da lembrança. e vou viver pra esperar. esperar o reencontro, que talvez jamais virá. ainda sim, hei de ter uma razão, um porquê, um amor que inquieta e que conforta minha solitude, porque solitária já não sou mais.
à vocês, meus companheiros de vida; a minha saudade, gratidão e reconhecimento - o mais doce e latente possível.
amor,
pauli.

Nenhum comentário:

Postar um comentário