eles estão na janela, dois amantes. quarto andar. fumam malboro, ela assume o último do maço.
ele pra aula, latim jurídico.
-au revoir, mon coeur.
ele sorri, fecha a porta.
enquanto deixa o cigarro queimar, contra o vento frio de sampa, canta baixinho, voz terna, quase muda, abafada pelo burburinho universitário da rua.
"...avant l'ombre et l'indifference, a vertige puis le silence, je veux juste une derniére danse..."
enquanto as cinzas são levadas pelo vento, uma parte volta com a brisa, cinza, contra a blusa. o amor foi embora, talvez. ela promete baixinho, retórica, como promessa bonita que há de se cumprir:
- você será o último, vício maldito.
distraída, ainda cantando, lá debaixo, freando o caos sonoro, ele berra:
- PAULI! - e lhe assopra um beijo.
- VOCÊ É NUTS! NUTS!
- EU NÃO ESTOU OUVINDO!
ela sorri de novo. o vento já levou tudo. ele sobe a esquina da maria antônia com a itambé.
- "...merci d'avoir enchanté ma vie..." e arrisca um sorriso, abafado, pelo vento.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário