sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

para T.

estava cansada, me sentia sozinha
longe de casa, da cama, do conforto conhecido.
deitei-me cedo, antes de todos.
acordei resmungando solidão.
languidez das pernas brancas demais
entregue, descansada, colchão inflável
vento entre dedos, tornozelos,
subia até as coxas.

foi então que senti as mãos, mãos desconhecidas
até então.
ainda sim ele contornava meu rosto
com a ponta dos dedos finos
testa até queixo,
depois soprava meu pescoço, nuca, orelha
beijava o rosto queimado de sol,
maçãs salientes, rosas.
por fim, colocou-me uma concha no ouvido
e me disse que era o som do mar
comentava com todos ao redor,
que observavam a cena, um pouco carentes.
como é linda, ela é linda(...)
bêbada de sono, retribuía com um sorriso
esfregava o rosto quente no seu colo, aconchegante.
por fim, sussurou doce, enquanto soprava o nó da orelha:
"que meus carinhos saibam sempre encontrar teu rosto."

jamais esquecerei.
carinho-poema, o teu.

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