Eis aqui toda e qualquer resposta que desejas de mim. Não pretendo tocar-te , sensibilizando-o ou explicar-me futuramente, nem mais uma vez, então serei bastante clara, como pouco o fizestes por mim:
Renuncio ao teu amor, tua admiração, tua atenção e teu pauperismo emocional.
não quero tuas frases pensadas, tua poética metrada em aglomerados vazios fonéticos
se me veneras, entre palavras secas, ó querido, então guarde-as em tua boca comedida.
de que me vale o teórico encanto de quem nem ao menos vibra ou sente o sangue rubrir as veias? de quem nada ama a ponto de perder-se, nada odeia a ponto de quase querer, nada atinge as moléculas ou faz o brilho da íris tonear-se espontâneo e febril?
gostar é pouco, é verbo de covardes. porque o gostar não preenche, não move vidas, não arrisca-se, não comete crimes, não pinta telas de Picasso, não conhece o sangue, a cólica, as guerras, a dor do parto, da morte, da saudade.
se tudo que me tens é isso, meu amor, - se é que um dia o fostes de fato - sendo assim, eu, que tanto tanto ardí por ti, abdico então dos teus quases, teus limites, teus consolos. prefiro o silêncio ao pudor. o branco ao rosa-pêssego, enfadonho. Saiba de minha boca, antes que o receba por meio de terceiros, que tais traços contidos e crayons pastéis com os quais retratas teu cotidiano morno me dão náuseas.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
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