quarta-feira, 17 de março de 2010

relicário

E teus filhos, saberão de mim? Saberão que um dia ouve uma mocinha que ocupou teu coração, por um tempo, e que então ela se foi, assim como tudo que se vai, e você continuou vivendo aquilo que conhecias, andando pelos mesmos bares, pagando as contas, reclamando do preço da gasolina para novos ouvidos, buzinando no engarrafamento, enfim, dançando conforme a mecânica cotidiana das coisas mundanas. Saberão teus netos, talvez? Quando te perguntarem essas coisas pequenas, essas coisas ingênuas: o que é amor? O que é saudade? O que é eternidade, vovô? – E Então, lembrarás de mim? Me citarás? Esconderás a lembrança com um riso, o coçar do queixo, um sorriso de canto de boca, mas, me pensarás, ao menos?
Meu bem, saiba de mim, que morrerei falando do grande amor que tivemos, que não foi o único, mas foi único, ao seu jeito.

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