segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

amor, para mim.

Ontem escutei um "te amo" bem atrevido e inesperado. gelei. minha primeira reação foi pensar: mas, já? em seguida, pensei: mas, você?
o fato é que o "você" em questão não é vulgar. não é como um te amo de seu coleguinha apaixonado da 3a série.
minha terceira e última inquietação, foi: e por que não? sim. por que não? por quê? quer dizer, para que tanta resistência?
Dizem que o verdadeiro amor não é condicional, e acredito nisso não porque está nos livros ou em refrões de músicas, mas porque já vivenciei isso. minhas experiências pessoais me provaram, fosse em movimentos sociais, fosse em exercícios de teatro. Concluí: para que tanto espanto, Paula?
ok, aí as pessoas vão pensar: que papinho mais água com açúcar, lady. É nada. Quando pensamos em amor na sua forma mais universalista, entendemos isso. Amei meu melhor amigo de teatro desde o primeiro dia em que nos conhecemos. Fizemos um exercício juntos, chamado "Espelho". Consiste em ficar de frente para o seu parceiro, e imitar os movimentos dele, sincronizadamente. o som das músicas ao fundo era responsável pela ritmia. No começo, a preocupação com o mimetismo é mais forte que a sincronia, mas com a passagem dos minutos e o envolvimento energético, a coisa rola de tal forma que ao final, estão ambos gesticulando igual, sem nem ao menos saber quem deu a ordem. Eu amei o Pablinho desde então, sem nem ao menos saber o timbre da voz dele. É claro que o sentimento cresceu desde então e amadureceu, até porque foi correspondido pela pessoa extraordinária que ele se mostrou, mas isso não vem ao caso, agora. Falo de amor incondicional, sem pensar em sentimento sexualizado, falo de reconhecer o que há de mais humano e digno de amor no outro. Acho que amar é isso. Reconhecer o outro, enquanto humano. Não temer o outro, seja lá o que for.
Existe um exercício ainda melhor, o de fitar. Em silêncio, você se senta de frente para o colega enquanto fita ele nos olhos, sem poder desviar do ponto de observação. Quando olhar incansávelmente para a íris da pessoa deixa de ser desconfortável e se torna aconchegante, você está liberado do exercício. Por mais inseguros que sejam aqueles olhos, por mais frágil e misterioso que seja o apoio emocional que eles te proporcionem, você desenvolve a capacidade de enxergá-los. não meramente fitá-los, mas enxergá-los. Enxergar é entender. Um entender que dispensa comos, porquês e poréns.
Isso é amor, para mim.

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